No fogão. No balcão. Na banqueta. Na porta da geladeira. Comida de comer com os dedos. Comida de morder os dentes. Comida de lamber os seios. Açafrão; Pimenta de cheiro; Berinjela. O colorido do prato Na boca do sujeito. Mistura sabores na carne. Pele ante pele. De garfada em garfada. Consome a fome. Deita a sopa. Abre o corpo. Saboreia o sumo.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Tríptico

desfoco teu rosto no meu olhar tríptico
desintegro teu cheiro no meu corpo felino
sugo teu suor nas minhas pernas bambas de amar

teus pelos sadios
insinuam pertencer ao meu corpo
me tomam a ti
sendo tua a minha dose de odor

rastejo ao encontro de um corpo
aninho meus cachos como um cão
nos teus braços
              dorso
              pés

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Cozinhando Gardel, por Thomas Carmona

Nas manhãs quentes do Brasil
Ao som de Gardel
Minha mãe na cozinha
Cuidando estranhas transformações
Cocção de acordes maiores
Vai-se um semitom e o acorde faz-se menor
Cores maiores de sabores alternativos
Vapores menores de gravações perdidas
Isso nas manhãs quentes do Brasil
Quando minha mãe cozinhava Gardel

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

lençóis tatuados;
de guardanapos escritos.
limpam as bocas,
e queimam .
   nas bocas do fogão.